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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

UNIFESP RECRUTA VOLUNTÁRIOS PARA PESQUISAS

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), reconhecida pelo desenvolvimento de pesquisas e estudos científicos, oferece vagas para voluntários nas seguintes áreas:

ENXAQUECA E DISTÚRBIOS DO SONO EM CRIANÇAS – GRUPO CONTROLE

O Setor de Investigação e Tratamento das Cefaléias, do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, está recrutando crianças de ambos os sexos com idade entre 6 e 12 anos sem queixas de enxaqueca, exceto as decorrentes de processos infecciosos agudos, como gripe, amigdalite e otite para analisar a relação entre enxaqueca e distúrbios de sono nas crianças.
O sono, tanto qualitativamente como quantitativamente, tem uma influência muito importante no controle das crises de enxaqueca. Os participantes serão avaliados através de exame de Polissonografia, que será feito no Instituto do Sono. As crianças terão que dormir uma noite no Instituto, juntamente com um responsável.
Os voluntários não podem apresentar problema neurológico ou psiquiátrico, como epilepsia, paralisia cerebral, retardo mental, depressão, transtorno de ansiedade ou outro diagnóstico psiquiátrico. Também não podem estar em uso de medicamentos com ação sobre o sistema nervoso central, como Ritalina, ou medicamentos para o controle de crises epilépticas, antidepressivos e calmantes.
O exame da Polissonografia não implica em nenhum ônus ao responsável e na eventualidade de o exame revelar alguma alteração, haverá acompanhamento e orientação clínica.
Os interessados deverão procurar o Ambulatório de Neurologia – (Cefaléia) Balcão 5 junto à Rua Napoleão de Barros, 771.  O atendimento será realizado todas as quintas-feiras das 10h às 12h. O agendamento pode ser feito de segunda a sexta feira, das 09h às 11h com Daniel Eugênio, no telefone (11) 5576-4139 ou pelo endereço eletrônico daniel.eugenio@unifesp.br
CRISES DE ENXAQUECA EM ADULTOS

O Ambulatório de Cefaleias da Unifesp recruta voluntários, de ambos os sexos, com idade entre 18 e 40 anos, que tenham enxaqueca, com crises ocorrendo de duas a 12 vezes por mês (até máximo de três vezes na semana) nos últimos três meses.
Os interessados, que não devem apresentar outros problemas de saúde, serão atendidos no ambulatório para participação de pesquisa sobre enxaqueca e funções auditivas. São oferecidas 30 vagas.
As inscrições podem ser feitas pelo telefone (11) 5576-4778, das 8h30 às 12h, falar com Joni.

TRATAMENTO DE AFTA RECORRENTE

O Ambulatório de Estomatologia, do Departamento de Otorrinolaringologia e Cabeça e Pescoço da Unifesp recruta homens e mulheres, com idade acima de 18 anos, para participar de uma pesquisa sobre tratamento de afta recorrente.
Os interessados poderão entrar em contato para agendar consulta no telefone (11) 5084-9965 ou por e-mail estomatologia@unifesp.br

INSÔNIA E EXERCÍCIOS FÍSICOS
O Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (CEPE) da Unifesp seleciona voluntários, homens e mulheres, que tenham entre 30 e 55 anos e sofram de insônia, para participar de estudo com quatro meses de duração sobre o efeito do exercício físico no padrão de sono.
A insônia afeta um terço da população adulta e 10% dos pacientes relatam queixas crônicas, com prejuízos físicos, psicológicos e ocupacionais.
Os interessados podem se inscrever pelo telefone (11) 5572-0177 (com Carolina ou Alexandre) ou pelo e-mail insonia.exercicio@gmail.com
ORIENTAÇÃO PARA PAIS DE JOVENS USUÁRIOS DE DROGAS
A Unidade de Dependência de Drogas da Unifesp oferece 70 vagas no Ambulatório de Orientação aos Pais de Jovens entre 12 e 25 anos que consumam álcool em excesso ou qualquer outro tipo de droga, mesmo que não sejam dependentes. O ambulatório oferece oito sessões semanais gratuitas às quintas feiras, em horário comercial.
A tendência, na maioria dos casos, é a negação do uso de drogas dos filhos e a demora para a procura de ajuda. O sentimento de culpa, em muitos casos, impossibilita a busca por ajuda. Isso torna a situação insustentável e com pior prognóstico.
Alguns atendimentos já realizados pelo grupo indicam que a recuperação dos jovens está diretamente ligada à rapidez com que os pais reconhecem o problema e procuram o tratamento para os filhos.
Os interessados podem entrar em contato pelo telefone 5549-2500. O serviço está localizado na Unidade de Dependência de Drogas – Uded, na Rua Napoleão de Barros, 1038, próximo ao metrô Santa Cruz.

TRATAMENTO HOMEOPÁTICO PARA DEPENDENTES DE ÁLCOOL

O Departamento de Psicobiologia da Unifesp está realizando uma pesquisa com medicamento homeopático para o tratamento do alcoolismo. Podem participar homens e mulheres dependentes de álcool com idade entre 18 e 65 anos.
Os interessados podem entrar em contato com a Enfermeira Fran, no telefone 2149-0162, ramal 262, de segunda a sexta feira, das 8h às 17h.

PILATES
A disciplina de Reumatologia da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp está recrutando voluntários com dor no pescoço há mais de três meses para participar de um estudo sobre o método Pilates de exercício físico.
Os voluntários podem ser de ambos os sexos, ter entre 18 e 65 anos e ter disponibilidade de participar duas vezes por semana dos encontros. Não podem ser voluntários os portadores de Fibromialgia ou outras doenças musculares, deficiência visual ou auditiva que possam atrapalhar os exercícios, usuários de remédio contra dores com tratamento iniciado a menos de três meses.
Para os praticantes de atividades físicas, recomenda-se que participem apenas os que iniciaram atividade regular há, no mínimo, três meses.
Os interessados podem entrar em contato com Luciana Araújo nos telefones 6049-4514/ 5478-4476/ 3083-4798 ou no e-mail lucianapilates@yahoo.com.br.
MENOPAUSA E QUALIDADE DE SONO
O departamento de Psicobiologia, da Unifesp, recruta mulheres, com idade entre 50 e 66 anos, que estejam na menopausa há pelo menos um ano e que apresentem, ou não, insônia ou que meditem regularmente há pelo menos três anos.
Elas participarão de pesquisa clínica com tratamento não farmacológico, aplicando técnicas de relaxamento, com o objetivo de verificar, por meio de testes, a capacidade de memória e a qualidade do sono.
As interessadas não devem tomar medicamentos antidepressivos, indutores do sono, e nem fazer reposição hormonal.
Inscrições: (11) 2149-0162, das 8h às 17h.

EXERCÍCIO E FIBROMIALGIA

A disciplina de Reumatologia da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp está recrutando voluntárias para participarem de pesquisa sobre exercícios e fibromialgia.
Podem participar da pesquisa mulheres com diagnóstico de fibromialgia do com idade entre 18 e 60 anos de idades e que saibam nadar. Estão disponíveis 30 vagas para o estudo.
Os encontros acontecerão 3 vezes por semana, por um período de 12 semanas. As interessadas deverão entrar em contato com Giovana Fernandes pelo telefone 11-84987581.

TRATAMENTO DE INSÔNIA

O Departamento de Psicobiologia, da Unifesp, recrutas voluntários, com idade entre 20 e 64 anos, que tenham dificuldades em dormir, para estudo com o objetivo de tratar a insônia.
O voluntário realizará exames de sono, responderá a alguns questionários e fará exame laboratorial. O tempo de duração do estudo será de cerca de dois meses e, durante este período, ele deverá comparecer ao centro de pesquisa para quatro visitas.
Inscrições: (11) 5908-7094 / 7344 / 7121 (horário comercial)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

SERVIÇOS PRESTADOS

PSICOLOGA COGNITIVA COMPORTAMENTAL



  •  Atendimento clinico de crianças, adolescentes e adultos
  •   Laudo para cirurgia bariátrica, laudos para afastamento das atividades laborais:
  •   Acompanhamento pré e pós cirúrgico; 
  •  Programas para portadores de Síndrome do Pânico;
  •  TOC - Transtorno obssessivo compulsivo;
  •  Transtornos alimentares;
  •  Orientação vocacional e profissional;
  •  Orientação de carreira.

LAUDOS PRA CIRURGIA BARIÁTRICA

Laudos emitidos a partir de cinco sessões, durante as sessões será seguido um protocolo:


  1. testes
  2. Inventários
  3. Entrevista
  4. Fechamento
  5. Será entregue um relatório detalhado de todos os procedimentos assim como dos resultados para a paciente, e um relatório básico para ser entregue ao profissional responsável pela cirurgia.

ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL/ORIENTAÇÃO VOCACIONAL

A Orientação Profissional pode ser definida como um processo de autoconhecimento e conhecimento do mercado e das profissões, com o objetivo de auxiliar o indivíduo na escolha de uma profissão que responda a seus anseios. Assim reduz-se o risco de frustrações no âmbito profissional, as quais representam gasto de tempo e de dinheiro, além de desgaste emocional. 



A quem se destina?
 

A indivíduos que estão iniciando a busca profissional, ou insatisfeitos na carreira escolhida.


ETAPAS DO PROCESSO:

1) TRABALHO DE AUTOCONHECIMENTO:

- Desenvolvimento de trabalhos específicos para auxiliar o jovem ou adulto a descobrir questões acerca de si mesmo, identificando interesses, medos, valores e aptidões, proporcionando a associação de sua personalidade com os interesses profissionais.
- Utilização de técnicas e testes de autoconhecimento, ferramentas para identificação da habilidade intrapessoal, interpessoal e características de personalidade.

2) MAPEAMENTO DO PERFIL PROFISSIONAL:

- Elaboração do mapeamento do perfil profissional a partir da avaliação psicológica realizada, com o intuito de identificar as principais competências, habilidades e oportunidades de melhoria.
- Levantamento das possíveis áreas de atuação e carreiras relacionadas com o perfil profissional do jovem ou adulto.

3) APRESENTAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO

- Apresentação do mercado de trabalho a partir das características regionais, necessidades, tendências e perspectivas dos segmentos. - Discussão e reflexão acerca das características, limitações e perspectivas da área escolhida e as conseqüências levantadas a curo e médio prazo de sua decisão.


EMPRESAS

    Dinâmicas de grupo; Criatividade na liderança; imersão em jogos cooperativos e associativos; vivência de equipes de trabalho; etc.


Ecopsicologia/ Educadora Ambiental

    Consultoria e assessoria: Elaboração de projetos, Planejamento participativo; gestão e governança compartilhada; Implantação de projetos e processo de Agenda 21 local e do pedaço; Elaboração de plano de desenvolvimento Local sustentável e integrado, etc.

    Palestras: Elaboração de projetos, Agenda 21; Responsabilidade Social; empoderamento das mulheres; Educação ambiental; Recursos Hídricos; Consumo consciente, empreendedorismo, etc.

    Oficinas: Elaboração de projetos, planificação de futuro; ferramentas de avaliação avaliação de projetos; educação ambiental; horticultura urbana; permacultura, percepção ambiental, empreendedorismo, oficina de coesão de grupos, etc.

REUNIÃO PEDAGÓGICA - ECO CIDADÃO BERTIOGA

Reunião pedagógica do Projeto Eco Cidadão Bertioga dia 04/11/2011


Elizabeth Barbosa; Liliane Haro; Luciana Zaco; Debora Tomazette; Raquel Zambeli; Carmem Lídia; Nana Solon Mota (tirou a foto)

APRESENTAÇÃO DO PROJETO ECO CIDADÃO BERTIOGA

As Educadoras e a Equipe de trabalho no dia 01/11/2011 no Centro Cultural de Bertioga para a apresentação do projeto Ecocidadão Bertioga.

ENTREVISTA - ECO CIDADÃO BERTIOGA


Entrevista na TV Costa Norte 27/09/2011 - Abel Rocha presidente da Avepema e Elizabeth Barbosa coordenadora pedagógica do projeto.



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

ECOCIDADÃO BERTIOGA

A Avepema Associação do Verde e Proteção do Meio Ambiente está iniciando um projeto de Educação Ambiental, para lideranças comunitárias em Bertioga - Projeto Eco Cidadão.

O Projeto consiste na capacitação de 40 moradores de Bertioga quanto à conscientização e valorização do ambiente em que vivem. Através de oficinas e ações ambientais junto à comunidade.

O curso é gratuito e vai acontecer de 01 de outubro a 17 de dezembro de 2011, as oficinas serão realizadas aos Sábados no período da manhã na Casa da Cultura. (16 horas em sala de aula e 200 horas de trabalho de campo, com o desenvolvimento de ações ambientais na comunidade)

Os alunos participantes do curso vão receber vale transporte e certificado de participação.

As inscrições podem ser feitas na Casa da Cultura. Maiores informações no 3317-4060 com Cintia.
Projeto Eco Cidadão é uma realização da Avepema através de um convenio com o Ministério da Justiça, Secretaria de Direito Econômico, Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa de Direitos Difusos – CFDD. E apoio da Prefeitura de Bertioga, através da Secretaria do Meio Ambiente.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O DIA DO AMANTE




Por que não um Dia dos Amantes? Já existe o Dia dos Namorados e hoje em dia a diferença entre namorado e amante tornou-se um pouco vaga. Quando é que namorados se transformam em amantes?
Segundo uma moça, experimentada na questão, que consultamos, se a mulher der para o mesmo homem mais de 17 vezes seguidas ele deixa de ser seu namorado e, tecnicamente, passa a ser seu amante. Os critérios variam, no entanto.
Em certas regiões, só depois de dormirem juntos dois anos é que namorados se tornam legalmente amantes. Alguns estabelecem um meiotermo razoável: 17 vezes ou dois anos, o que vier primeiro. Outros afirmam que a diferença está no grau de intimidade dos dois tipos de relacionamento.
Num caso, as pessoas vão para qualquer lugar onde haja camas — apartamento, hotel ou motel, sendo desaconselháveis hospitais, quartéis e lojas de móveis —, tiram a roupa um do outro às vezes usando só os dentes, atiram-se na cama, rolam de um lado para o outro, enfiam-se os dedos no orifício que estiver por perto, lambem-se, chupam-se, com ou sem canudinho, massageiam-se mutuamente com Chantibon, depois o homem penetra o corpo da mulher com o seu órgão intumescido e os dois corpos movem-se em sincronia até o orgasmo simultâneo, entre gritos e arranhões.
Então se separam, suados, e vão tomar um banho juntos antes de saírem para a rua. Quer dizer, uma coisa superficial e corriqueira. Já o namoro, não. No namoro, não apenas o órgão intumescido mas todo o corpo do namorado penetra na própria casa da namorada todas as quartas-feiras.
Eles se sentam lado a lado num sofá quente, coxa a coxa, e chegam a entrelaçar os dedos das mãos. Muitas vezes comem a ambrósia preparada pela mãe da moça com a mesma colher, gemendo baixinho.
Existe ainda o prazer indescritível de roçar com o braço o lado do seio da namorada, enquanto se conversa sobre futebol com o pai dela, um prazer que aumenta se, por sorte, estiver com um daqueles sutiãs pontudos usados pela última vez no Ocidente por Terry Moore, em 1953. A namorada, não o pai dela. Isto é que é intimidade.
Existem outros critérios para diferenciar namorado de amante.
Amante é o namorado que leva pijama, por exemplo. Uma maneira certa de saber que o namorado já é amante é quando, pela primeira vez, em vez de dar um par de meias para ele no Dia dos Namorados, ela dá um par de cuecas. E você terá certeza de que ele é amante quando sugerir que ela lhe dê um certo tipo de cuecas e ela responder, distraidamente, "esse tipo ele já tem...".
Mas estamos falando de namorados, ou amantes, solteiros. No caso do homem casado e com uma amante a coisa se torna mais complicada, e pouco invejável. No caso do homem casado e com várias amantes, se torna mais complicada ainda, e mais invejável. Antes de lançar o Dia dos Amantes os lojistas teriam que fazer uma pesquisa de mercado. O que despertaria a desconfiança dos entrevistados.
— O senhor tem amante?
— Foi minha mulher que o mandou?
— Estamos fazendo uma pesquisa de mercado e...
— Onde é que está o microfone? É chantagem, é?
— Não, cavalheiro. Nós...
— Está bem, está bem. Tem uma moça que eu vejo mas nem se pode chamar de amante. Pelo amor de Deus! É só meia hora de três em três dias. E ela é bem baixinha. "Amante" seria um exagero. Mas eu prometo parar!
Uma vez decidido o lançamento do Dia dos Amantes, as agências de propaganda teriam que escolher a estratégia de marketing ou, como se diz em português, o approach.
O tom das peças publicitárias variaria, é claro, de acordo com o tipo de comércio. As lojas de eletrodomésticos poderiam anunciar: "Tudo para o seu segundo lar." Ou então: "Faça-a se sentir como a legítima. Dê a ela uma máquina de lavar roupa." As joalherias enfatizariam sutilmente o
espírito de revanchismo do seu público-alvo, sugerindo: "Aquele diamante que sua mulher vive pedindo... Dê para sua amante." Ou, pateticamente: "Já que ela não pode ter uma aliança, dê um anel..."
Perfume: "Para que você nunca confunda as duas, dê Furor só para a outra..." Utilidades: "No Dia dos Amantes, dê a ela um despertador. Assim você nunca se arriscará a chegar tarde em casa." Os comerciais para televisão poderiam explorar alguns lugares-comuns. Por exemplo: Alguém entra no quarto e encontra a amante na cama. Atira um presente o seu colo. Isso a faz se lembrar de uma coisa. Ela abre a gaveta da mesade- cabeceira. E tira um presente. Ele vai pegar, mas o presente não era para ele. Ela levanta da cama, abre o armário e dá o presente para o seu amante escondido lá dentro. Congela a imagem. Sobrepõe logotipo do anunciante e a frase: "Neste Dia dos Amantes, dê uma surpresa." Hein?
Hein? Está bem, era só um exemplo.
As confusões seriam inevitáveis. Marido e mulher se encontram numa loja de lingerie. Espanto da mulher:
— Você aqui?
Marido:
— Ahn, hum, hmmm, sim, ohm, ahm, ram.
— E escolhendo uma camisola!
— É que, ram, rom, ham, ahm, grum. Certo. Quer dizer...
— E você pode me explicar o que está havendo?
— Grem, grum, rahm, rohrn, ahn...
— Não vai me dizer que estava comprando pra mim. Há anos que não uso camisola. Ainda mais desse tipo, preta, transparente e com decote até o umbigo.
— Eu posso explicar.
— Então explique.
— Ahm, rom, rum, rahm, grums.
— Explique melhor.
— Está bem! É para mim, está entendendo agora? Para mim!
— Você?...
— Há anos que eu tento esconder isso de você. Agora você pegou e vou revelar tudo. Adoro dormir de renda preta! Só me controlei até hoje por causa das crianças!
Ela compreende. Tenta acalmá-lo. Mas ele agora está agitado.
Bate no balcão e grita:
— Também quero ligas vermelhas, um chapelão e chinelos de pompom grená!
Ela o leva para casa, cheia de resignada compreensão. A amante ficará sem o seu presente no Dia dos Amantes, mas pelo menos o marido terá evitado qualquer suspeita. O único inconveniente é que terá de dormir de camisola preta pelo resto da sua vida conjugal.
Por que não um Dia dos Amantes? Você teria que tomar certas precauções, além de jamais entrar numa loja de lingerie. Como uma ausência sua em casa no Dia dos Amantes despertaria desconfiança,telefone para casa antes de ir festejar com a amante.
— Alô, a patroa está?
— Não, senhor.
— Estranho. Ela costuma estar em casa a essa hora. Mas é melhor assim.
Diga para ela que eu vou me atrasar um pouco. Estou no hospital para curativos. Nada grave. Fui atropelado por uma manada de elefantes.
— Sim, senhor.
Você se dirige para a casa da amante, com o embrulho do presente embaixo do braço. Começa a pensar na ausência da sua mulher em casa. Onde ela teria ido? Lembra-se então de que a viu mais de uma vez olhando com interesse uma vitrine cheia de cachimbos. Na certa pensando num presente para lhe dar. E súbito você pára na calçada como se tivesse batido num elefante. Você não fuma cachimbo!

Luiz Fernando Veríssimo

terça-feira, 20 de setembro de 2011

ASSERTIVIDADE



A assertividade é um comportamento de afirmar a sua pessoa como ela é, com suas virtudes e defeitos, com seus erros e acertos, de forma humilde e integral, respeitando tanto a si como ao próximo.



É bastante comum as pessoas terem dificuldades para expressar os seus sentimentos e opiniões,de modo que o outro entenda perfeitamente o que está querendo passar.

Esta dificuldade ocorre não somente no âmbito familiar, mas também na vida social e na vida profissional, não é uma dificuldade exclusiva de uma classe social, em todas as classes encontramos a dificuldade de comunicação.



Os comportamentos ou atitudes que se opõem à assertividade são: o  agressivo e o  passivo . Esses comportamentos estão muito distantes de onde está a assertividade.


Convém ressaltar que as pessoas não são exclusivamente agressivas, ou passivas,  ou assertivas, mas apresentam estados variáveis, dependendo de hora, local e de seu estado interno, e na maioria dos casos um tipo de comportamento de comunicação é predominante.
 
Vamos ver resumidamente cada comportamento.

O COMPORTAMENTO AGRESSIVO
O comportamento agressivo tem origem em pessoas principalmente descontroladas, que buscam se impor pela ameaça, pelo medo, mostrando uma falsa impressão de segurança inicial.

O comportamento agressivo só apresenta resultados no curto-prazo. O outro tem medo.

O interessante é que as pessoas, que desconhecem a origem da agressividade, têm uma "raiva" camuflada das pessoas agressivas, pois as sentem superiores porque não percebem que ali reside um carneiro frágil, que se traveste em pele de lobo, para lidar com sua inferioridade.

A s pessoas, quando agredidas, normalmente sentem-se oprimidas, abusadas, diminuídas pela falta de respeito em serem tratadas como seres humanos dignos.

A interação entre o agressor e o agredido acabam provocando como resultados:

- a perda de influência do agressor sobre os agredidos,
- a perda de respeito pelo agressor,
- a rejeição do agressor pelos agredidos,
- o isolamento do agressor,

e a conseqüente diminuição da já baixa autoestima do agressor.

Não importa em que ambiente a agressividade ocorra, o que houver para ser feito sempre será feito com produtividade baixa.

O COMPORTAMENTO PASSIVO
O comportamento passivo também tem origem na autoestima baixa, na pouca importância que a pessoa confere a si própria.

Essa pouca importância conferida a si própria leva as pessoas passivas a se perceberem-se como ignoradas e ignoradas, sentindo-se tanto sem poder como com falta de apoio.

A autoestima baixa, aliada à frustração por sua postura de Zeca Pagodinho:

- "Deixa a vida me levar, vida leva eu ... "

faz com que esse comportamento passivo conduza a uma inadequação entre o que a vida exige e o repertório menor que a atitude passiva disponibiliza.

É interessante notar que a autoestima baixa e o sentimento de inferioridade são comuns ao comportamento agressivo e ao passivo, diferindo somente o tipo de reação.
A passividade leva à omissão, a não aceitar correr riscos, leva a evitar assumir responsabilidades e a deixar de fazer quaisquer coisas pelas quais possa vir a ser responsabilizado no futuro ou a ser rejeitado.

Dessa forma o comportamento passivo frequente leva as pessoas a serem vistas como omissas, como inativas (não decidem, não fazem, se excluem de participar), como sem posição definida, e não sendo pessoas com a qual se possa contar, conduzem-se à solidão, ao isolamento.

E a sensação de exclusão reforça a autoestima baixa, reforça o comportamento passivo. E esse comportamento é a negação da produtividade e da melhoria contínua.

O assertivo:  Esse é aquele que quando lhe furam a fila   consegue  falar com a pessoa com toda tranquilidade e elegância.  É transparente pra falar e sabe ouvir. Sabe ouvir criticas sem levar para o lado  pessoal.  Trata as pessoas com respeito. Aceita acordos. Vai direto ao ponto sem ser áspero. 
Muitas vezes você foi agressivo com o colega de trabalho, mas acabou sendo passivo em casa. Mas essa flexibilidade só indica que é possível mudar um comportamento que não está valendo a pena. 
Podemos desenvolver assertividade. 

domingo, 11 de setembro de 2011

DIA DO CERRADO, 11 de SETEMBRO

Dia 11 de setembro é o DIA DO CERRADO.
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Longe de comemorações festivas, a data deve servir para informação e reflexão.
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Em nossa região, na divisa entre Indaiatuba e Campinas, perto do Aeroporto de Viracopos, Helvetia e Friburgo há um remanescente desse bioma que precisa de respeito e atitude para ser preservado.
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O Brasil possui a maior extensão de cerrado da América do Sul, mas por ser uma paisagem que não possui a exuberância de nossas florestas, pantanal ou mesmo o charme do pampa, ela não está muito presente na mídia e, por ser em grande parte rasteira, muitos a reduzem (ou confundem) com "mato".
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A verdade é que no cerrado há plantas que se adaptam e que não se reproduzem noutro lugar se deslocadas.
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Também há uma grande gama de passáros e mamíferos, tais como tamanduá-bandeira, tatu-gigante, onça-pintada e lobo-guará, que competem com a rápida expansão da fronteira agro-pecuária no Brasil e mais especificamente no "nosso" Cerrado Campineiro, estão ameaçados pela expansão do aeroporto.
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Abaixo, uma exposição* de flores típicas do cerrado. Conheça, delicie-se e divulgue essa riqueza!
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* Crédito da pesquisa e imagens: Mario Capelutto e Ida Aranha.
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1 comentários:

Deize Barnabé disse...
Oi Eliana, Muito importante lembrar-se do dia da serrado. É tão importante preservar-se o serrado quanto preservar a floresta! Infelizmente, veja o que o Ministro do meio ambiente comentou agora há pouco no "Terra": "Serrado desmata mais que Amazônia, diz Minc 10 de setembro de 2009 • 11h18 • atualizado às 11h43 "No Brasil, desmata-se anualmente uma área de 20 mil km² de Cerrado a cada ano. Isso corresponde ao dobro do que é desmatado na Amazônia. A informação antecipada nesta quinta-feira pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, durante a abertura da Comissão Legislativa Participativa da Câmara dos Deputados será detalhada durante entrevista destinada a apresentar o primeiro monitoramento do desmatamento do Cerrado brasileiro. "Há 10 anos, segundo nossos dados, tanto a Amazônia como o Cerrado desmatavam 20 mil km² por ano. Felizmente conseguimos, por meio dos programas tocados pelo governo, reduzir pela metade o desmatamento no bioma amazônico. A má notícia é que ainda não conseguimos fazer isso pelo Cerrado", disse Minc. O ministro ressaltou a importância da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 115/95, que torna patrimônios nacionais o Cerrado e a Caatinga. "Já faz 14 anos que essa PEC está tramitando. É importantíssimo que estendamos o monitoramento do desmatamento também a outros biomas, como a Caatinga, o Pantanal e o Pampa", afirmou o ministro. Segundo Minc, será possível apresentar metas concretas visando à redução do desmatamento de todos os biomas a partir de junho de 2010. "A base do plano será apresentada ainda hoje. O Cerrado é fonte da maior parte do manancial de águas do país e não pode ser prejudicado pelo agronegócio", acrescentou. Após participar da abertura da comissão, Minc seguiu para a sede do Ministério do Meio Ambiente para lançar o Plano de Ação de Prevenção e Controle do Desmatamento no Bioma Cerrado". Agência Brasil

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

RESPEITO

“Existem então homens que não gostam uns dos outros? Que dizer das demonstrações que fazem os jogadores de futebol depois de marcar um gol? Não são “homossexuais”, não. E, entretanto, o que fazem nessas ocasiões chocaria os transeuntes, caso se tratasse de homossexuais no meio da rua, na vida cotidiana, afirmando-se como tais. Deve-se concluir daí que os estádios de esporte são uma válvula de escape de segurança para a homossexualidade masculina normal?”
Laurent Dispot

“… Acho que o que mais perturba quem não é gay é a forma de vida gay, e não os atos sexuais. [...] eu me refiro ao temor geral de que os gays desenvolvam relações intensas e satisfatórias apesar de não se ajustarem à idéia que os outros têm do que sejam essas relações. O que muitas pessoas são incapazes de tolerar é a possibilidade de que os gays sejam capazes de criar tipos de relações não previstas até agora.”
Michel Foucault

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A VIOLÊNCIA SIMBÓLICA DE GÊNERO E A LEI “ANTIBAIXARIA” NA BAHIA

A polêmica atual instaurada em torno da constitucionalidade do Projeto de Lei no. 19.137/2011 (apelidada de lei “Antibaixaria”) da Deputada Estadual Luiza Maia da Bahia, que dispõe sobre a não contratação, com verbas públicas, de artistas que degradem a imagem das mulheres, me faz voltar pouco mais de vinte anos no tempo, mais precisamente aos fins dos anos 1980, quando da elaboração da Constituição do Estado da Bahia.  Naquela época, nós, feministas atuantes no Fórum de Mulheres de Salvador, nos reunimos várias vezes para discutir a inclusão de um capítulo específico sobre os direitos das mulheres na nova carta magna baiana.

Inspiradas pelos avanços conquistados por nós na Constituição Federal de 1988 com a mobilização de mulheres, em todo país, e, em especial, pelo chamado “Lobbydo Batom” – o lobby exercido diretamente junto aos deputados e deputadas constituintes -- ousamos ir além formulando uma proposta ainda mais progressista para a Bahia.  Dentre outras questões de interesse das mulheres, incluímos nessa proposta disposições sobre a prevenção da violência contra as mulheres e a obrigatoriedade de criação de delegacias especiais de atendimento às vítimas em cidades com mais de 50.000 habitantes, a proibição da exigência por parte de empregadores de comprovantes de esterilização das trabalhadoras, a criação de comissões especiais para monitorar as pesquisas no campo da reprodução humana, e – de interesse especial para o momento -- o impedimento da veiculação de mensagens que aviltassem a imagem das mulheres.
Nossa ousadia se revelava, tanto no teor dessas propostas, quanto no fato de que, para defendê-las na Constituinte Estadual, contávamos apenas com a Deputada Amabília Almeida, a única mulher então exercendo mandato naquela casa.  Mas, nesse ponto, não havia o que temer. Com muita diplomacia, a nossa querida Amabília, companheira de muitas batalhas, conquistou mais aquela, logrando transformar nossas propostas em princípios e leis sagradas na Constituição Estadual de 1989. Foi assim que a Bahia passou a ter uma das constituições mais avançadas do país no tocante aos direitos das mulheres.
Frente à citada polêmica em torno do Projeto de Lei da Deputada Luíza Maia, destaco aqui, em especial, o Art. 282 da Constituição Estadual, particularmente o inciso I, em que se afirma que o  Estado da Bahia “garantirá, perante a sociedade, a imagem social da mulher como mãe, trabalhadora e cidadã em igualdade de condições com o homem, objetivando”, entre outras  questões, “impedir a veiculação de mensagens que atentem contra a dignidade da mulher, reforçando a discriminação sexual ou racial.”  Nesse artigo reside, sem sombra de dúvida, a constitucionalidade do Projeto de Lei “antibaixaria”.  Aliás, ele vem com mais de vinte anos de atraso para regulamentar o que reza nossa Constituição desde 1989, como de resto ainda acontece com a maior parte de nossas conquistas nessa carta, que ainda aguarda regulamentação.
Em relação ao Art. 282, posso testemunhar que, já na década de 1980, ao propormos sua inclusão na Constituição da Bahia, tínhamos em mente, não apenas o combate à constante veiculação de anúncios em jornais, outdoors e na mídia televisiva, que em muito desmerecem, objetificam e assaltam moralmente a nós, mulheres, como também à cantigas que exemplificam, em suas letras, o que se classifica como violência simbólica de gênero – tal qual em “...nega do cabelo duro... pega ela aí, pega ela aí prá passar batom ... na boca e na bochecha”, música sexista e racista, popular na época!
Na verdade, uma de nossas maiores preocupações era (e ainda é) o enfrentamento à violência de gênero contra as mulheres, particularmente a violência simbólica de gênero, que se infiltra por todo a nossa cultura, legitimando os outros tipos de violência. Por “violência de gênero”, refiro-me a toda e qualquer forma de agressão ou constrangimento físico, moral, psicológico, emocional, institucional, cultural ou patrimonial, que tenha por base a organização social dos sexos e que seja impetrada contra determinados indivíduos, explícita ou implicitamente, devido à sua condição de sexo ou orientação sexual. Isso implica dizer que tanto homens quanto mulheres, independente de sua preferência sexual, podem ser alvos da violência de gênero. Contudo, em virtude da ordem de gênero patriarcal, ‘machista’, dominante em nossa sociedade, são, porém, as mulheres e, em menor número, os homossexuais, que se vêem mais comumente na situação de objetos/vítimas desse tipo de violência.
Quando falamos de violência de gênero contra mulheres, pensamos mais de imediato em atos de violência física – agressões, espancamentos, estupros, assassinatos -- perpetrados, geralmente, por seus companheiros, e que acabam estampados em manchetes nas páginas policiais jornalísticas. Essa é, sem dúvida, a mais chocante e revoltante forma de violência de gênero, posto que atenta diretamente contra a vida de uma pessoa, não sendo raros os casos em que ela passa impune.
A Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, mais conhecida como “Lei Maria da Penha”, trouxe um grande avanço no enfrentamento à violência de gênero contra mulheres, vez que, além de criminalizar esse tipo de violência -  que passava invisível na esfera doméstica e familiar -  também reconheceu outras formas de violência, tais como a violência sexual, moral, psicológica, e patrimonial, como igualmente puníveis por lei.  Cabe lembrar, porém, que tanto as agressões físicas, quanto essas outras formas de violência e sua impunidade, são legitimadas pela ordem social de gênero que caracteriza a nossa sociedade, a ordem de gênero patriarcal, ordem inscrita e perpetrada nas nossas instituições sociais, nos nossos sistemas de crenças e valores e no nosso universo simbólico, com ressonância nas relações interpessoais e na construção das nossas identidades e subjetividades enquanto homens e mulheres.
De fato, a violência de gênero se expressa com força nas nossas instituições sociais (falamos então de violência institucional de gênero) e, de maneira mais sutil, embora não menos constrangedora, na nossa vida cultural, nos atacando (ou mesmo nos bombardeando) por todos os lados, sem que tenhamos plena consciência disso. Diariamente, ouvimos piadinhas, canções, poemas, ou vemo-nos diante de contos, novelas, comerciais, anúncios, ou mesmo livros didáticos (ditos científicos!), de toda uma produção cultural que dissemina imagens e representações degradantes, ou que, de uma forma ou de outra, nos diminuem enquanto mulheres. Essas imagens acabam sendo interiorizadas por nós (até mesmo as feministas “de carteirinha”), muitas vezes sem que nos demos conta disso. Elas contribuem sobremaneira na construção de nossas identidades/subjetividades, diminuindo, inclusive, nossa auto-estima.
Isso tudo se constitui no que chamamos de violência simbólica de gênero, uma forma de violência que é, indubitavelmente, uma das violências de gênero mais difíceis de detectarmos, analisarmos e, por isso mesmo, combatermos.  Talvez até mesmo porque o ‘bombardeio’ é tanto, de todos os lados, que acabamos ficando anestesiadas, inertes, impassíveis, incapazes de percebê-la,  bem como o seu poder destruidor.  Na verdade, o mundo simbólico aparece como um grande quebra-cabeças a ser decifrado, difícil de abordar, vez que, como no caso das metáforas, ele se processa através de um encadeamento e superposição de símbolos e seus significados, ou de associações, transposições, oposições e deslocamentos.  Destrinchar esses processos é muitas vezes adentrar num labirinto, correndo atrás de um novelo que torce, retorce, rola, enrola e dá nós, difíceis de serem desatados.  Por isso mesmo, a violência simbólica é sutil, mascarada, disfarçada e, assim, bastante eficaz.
Certamente, não é esse o caso da “nova poesia baiana”, tal qual expressa nas letras do nosso cancioneiro popular contemporâneo. Ao contrário, não há nada de dissimulado nessas cantigas. Nelas, a imagem da mulher, de todas nós mulheres, é explicitamente aviltada, rebaixada, causando constrangimento naquelas que se prezam. Senão vejamos:
Em “Me Dá a Patinha”, por exemplo, a mulher é abertamente chamada de “cadela”, porque está supostamente disponível para todos:
O João já pegou
Manoel, pegou também
O Mateus engravidou,
tá esperando o seu nenem
Carlinhos, pegou de quatro
Marquinhos fez frango assado
José sem camisinha
Pego uma coceirinha
O nome del'é Marcela
Eu vou te dizer quem é ela
Eu disse
Ela, ela, ela é uma cadela
Ela,ela mais ela é prima de Isabela
Joga a patinha pra cima
One,Two,Three
Me dá, me dá patinha
Me dá sua cachorrinha
(sic)
Igualmente desrespeitosa em relação às mulheres é a cantiga “Ela é Dog”, que segue a mesma linha (... estilo cachorra, ela fica de quatro,  ela é dog, dog, dog, ....parede de costas), assim como “Rala a Tcheca no Chão” (rala a tcheca no chão, a tcheca no chão, a tcheca no chão, mamãe), sem esquecer de “Na Boquinha da Garrafa”, onde se afirma que ...no samba ela gosta do rala, rala, me trocou pela garrafa, não agüentou e foi ralar... vai ralando na boquinha da garrafa, sobe e desce na boquinha da garrafa,
É na boca da garrafa...
Ressalto que não se trata somente do gosto deveras questionável desses versos, mas, sobretudo, da incitação e legitimação da violência física contra mulheres que eles expressam.  Como nos versos, ...se o homem é chiclete, mulher é que nem Lata, um chuta, o outro cata...”, ou então, na já combatida “Tapinha de Amor”:
Não era preciso chorar desse jeito
Menina bonita anjo encantador
Aquele tapinha que dei no seu rosto
Não foi por maldade foi prova de amor
A nossa briguinha foi de brincadeira
...
Não seja assim tolinha eu sei que tapinha de amor não dói
(sic)
Não custa lembrar que foram mais de 30 anos de lutas dos movimentos feministas no país no combate à violência de gênero contra mulheres, uma luta que logrou trazer a elaboração e aprovação da Lei Maria da Penha em agosto de 2006. Essa lei cria mecanismos para “coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher”, assim destacando, em seus Artigos 2º e 3º:
Art. 2o Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.
Art. 3o Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
De acordo com a Lei Maria da Penha, uma Lei Federal, e, como vimos,  também de acordo com a Constituição da Bahia, é dever do Estado combater a violência, assegurando às mulheres o direito ao respeito e dignidade enquanto seres humanos. O Projeto de Lei apresentado pela Dep. Luiza Maia vem regulamentar a intervenção do Estado nesse tocante, dispondo sobre “a proibição do uso de recursos públicos para a contratação de artistas que, em suas músicas, danças, ou coreografias desvalorizem, incentivem à violência ou exponham as mulheres a situações de constrangimento.”
Ressalte-se que não se trata aqui de cercear o direito de “livre expressão artística” de ninguém, já devidamente consagrada na Constituição Federal. Não se trata de fazer censura.  Longe disso!  Mas é necessário que o Estado não seja conivente com mensagens que façam a apologia da violência de gênero contra mulheres, utilizando verbas públicas – o dinheiro nosso e do nosso povo – para aviltar a nossa imagem!  Fazê-lo, ou seja, contratar com dinheiro público quem assim procede é legitimar a violência de gênero contra as mulheres.  É, pois, atentar contra a nossa carta magna, cabendo, pois, de nossa parte, a impetração de ações cíveis junto ao Ministério Público.
Espera-se, outrossim, que o Projeto de Lei em questão também tenha um papel pedagógico.  Que ele venha a conscientizar mulheres e homens desta Bahia (e por que não, do nosso Brasil) da necessidade de combate à violência contra mulheres, hoje expressa, de forma tão vulgar e grosseira, no nosso cancioneiro popular.  Creio que é isso que minhas combativas companheiras do Fórum de Mulheres de Salvador, que comigo lutaram pelo avanço das nossas conquistas nos idos dos anos 1980, tinham também em mente quando sonhávamos com uma Bahia sem sexismo, sem racismo, e sem violência!


[1] Uma primeira versão deste ensaio foi apresentada como contribuição aos debates sobre o Projeto de Lei No.19.137/2011, na Comissão da Mulher da Assembléia Legislativa da Bahia, em 24/08/2011.
Profa. Dra. Cecilia M. B. Sardenberg,
Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher - NEIM
Universidade Federal da Bahia - UFBA
Estrada de São Lázaro, 197 - Federação
Salvador, Bahia, BRASIL
Telefax: 55-71-3237-8239

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER - EDITAL



A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) abre segunda chamada de Edital para a continuação da implantação do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. O Edital esta aberto de 26 de agosto a 2 de setembro, conforme Portaria e Termo de Referência.


Fonte:http://www.sepm.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2011/08/spm-abre-2a-chamada-de-edital-para-o-pacto-nacional-de-enfrentamento-a-violencia-contra-a-mulher